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Alone Together - 24/4/2012

Meus pequenos,

O título deste texto tomei emprestado de um livro de uma psicóloga americana, Sherry Turkle, que aborda uma questão que eu e Mamãe estamos começando a enfrentar: como administrar na vida de vocês o Donkey Kong tecnológico que, diariamente, arremessa em nossa direção games, aplicativos, Facebook, Youtube, Google, tablets, celulares etc.

A ideia é só deixar registrado para vocês os nossos desafios e estratégias, para que vocês um dia nos perdoem o fato de chegarem aos 6 anos (está quase chegando!)sem terem ganhado um DS, e de terem que nos aguentar dando limites em nossos celulares e tablets.

Queria que vocês soubessem que não se trata de uma aversão indiscriminada à tecnologia. Isso seria até um contrassenso, levando em conta que eu e Mamãe convivemos com estas traquitanas digitais e vivemos quase que submersos neste oceano virtual. Mas, talvez, até por isso, damos tanto valor ao mundo lá fora, a praia da realidade, e refletimos tanto sobre o assunto.

Por falar em praia, tem uma história que ilustra bem a dinâmica do jogo.

Play: estávamos em Búzios e, numa manhã linda de sol, numa casa em frente à praia, 6 crianças saudáveis sentadas em um sofá. Elas não conversavam, elas não se olhavam, pois seus olhos estavam vidrados em uma tela minúscula. Correndo o risco de ser odiado, tomei uma medida drástica:

− Vamos fazer um combinado? DS só à noite!

Talvez não pelo meu tamanho − afinal eram 6 contra 1 –, mas talvez pelo meu tom incisivo, não houve muita resistência, apenas alguns lamentos dispersos.

Ufa! passei a primeira fase.

Minutos depois, vocês estavam na praia. Alguns dentro do mar, pegando onda, outros fazendo buracos e castelos 3D. A tela tinha ficado gigante e linda. Vocês controlavam seus próprios movimentos e tomavam decisões que afetariam as suas próprias vidas.

Comemorei como se fosse um recorde. Eu e o sorveteiro da Kibon que não demorou a aparecer.

Mas, queridos, não pensem que esse isolamento é “privilégio” de vocês. Jovens e adultos estão surfando neste mesmo tsunami também. Cheios de amigos no Facebook, seguindo e sendo perseguidos por desconhecidos, ou pior, por conhecidos que se encontrarem na rua não lhe cumprimentam. Uma conversa muito louca, em que tem muita gente falando e pouca gente dando atenção. Contato visual? isso então é coisa para quem tem vista cansada, ou, melhor, catarata.

Outro dia, a Tia Irene me contou uma história que ela estava jantando com uma amiga que não parava de mexer no celular. Só parou quando recebeu uma mensagem “me passa o shoyo”. Seria um fato engraçado se não estivesse virando corriqueiro.

O recado é que realmente acreditamos que os games e todos os ambientes de interação na internet podem ser muito divertidos e educativos, e não vamos aliená-los deste mundo. O negócio é só uma questão de medida, de saber a hora, o local e a razão. Talvez não esteja longe o dia em que vocês terão os seus próprios tablets. Papai e Mamãe só vão ter que chegar a um acordo se será do Robozinho ou da Maçãzinha.

O mais importante para nós, meus pequenos androides, é lhes ensinarmos a darem valor à maravilhosa experiência de estarmos juntos: crianças, adultos e idosos. E sorvermos todos os sabores, sons, perfumes, e imagens, alegres ou frustrantes, que estes encontros produzem. Isso não tem terabyte que salve.

Game over.

Terabeijos do Pai

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